Pague - mas não use - o Serviço Nacional de Saúde
1. Em vésperas de Natal, a Administração Regional de Saúde de Évora imbuiu-se de criatividade e resolveu presentear os seus indefesos utentes com um "baralhar e tornar a dar" médicos de família. Casos houve de pessoas que apareceram para uma consulta, marcada tempos atrás, para serem surpreendidas - sem a decência de um pré-aviso - com a frase "Já não tem médico"!
Assim, durante dias a fio, foi possível assistir a intermináveis filas de gente mais ou menos carregada de mazelas (sofridas pelas longas horas de espera) e de papelada, para a reconstituição dos processos. Na Era da Informática!
Apesar desta demonstração de desrespeito pelos 'clientes', fica, contudo, registada a empatia de - alguns - funcionários dedicados ao atendimento, apesar do prolongamento do seu horário, na tentativa de minorar o impacto negativo deste grandioso 'Plano de Natal'.
Esperemos que, disto, algum bem venha ao mundo.
2. Perguntas indiscretas: Alguém me explique, por favor - como se eu tivesse quatro anos - por que é que os utentes se sentem 'empurrados' para os consultórios particulares dos médicos aos quais têm direito no hospital? Porque ganham em simpatia no atendimento e prontidão na marcação? Porque, lá, os Srs. Doutores são pontuais? Porque até fazem o favorzinho de passar as credenciais para os descontos, quando vestem a outra 'pele'?
Se não tem trocos, tem multa
Louvemos agora o empenho zeloso dos funcionários do Sistema Integrado de Transportes e Estacionamento de Évora - Empresa Municipal, na elevada missão de fiscalizar o estacionamento, sete dias por semana.
Que lhes importa se, para dezenas de parquímetros, existem zero máquinas de trocos? O que vale é aplicar multas, e no cobarde estilo 'toca-e-foge'. E estar particularmente atento a dias especiais, nos quais se esperam vítimas incautas - como os Sábados, ou os dias das Matrículas na Universidade. Nestes últimos, 'eles' organizam-se militarmente: a carrinha chega de rompante, juntam-se três ou quatro a combinar rapidamente a estratégia, e é vê-los cheios de alegria no trabalho a calcorrear rua abaixo... e enquanto o diabo esfrega um olho, ei-los que partem, deixando o sinal amargo da sua - nada fortuita - passagem, preso ao limpa-pára-brisas da frente.
dav.praz@gmail.com
Publicado por dizerbem em dezembro 17, 2006 12:40 AM